quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Veneno


Ouviu , hoje, aqueles cantos?
O estrondo , a sinfonia pra ti?
Será que percebeu
o anseio,
o desejo
pelo sorriso,
pela vivacidade?

Sentiu o cheiro da rua,
lá fora.
Saiu,
marcou a calçada?
Pisou na bosta,
enrijeceu a face com o cheiro da fumaça?

Abro as mãos e
tudo cai,
meus gritos ecoam
e meus passos
descartam –
como aquele três preto da tranca, lembra?

Grito alto,
aceno,
pulo,
sinalizo e
Vão.
Esboço,
rabisco,
os restos de borracha
colecionados pelas crianças.

Estou rouco, mas sentindo.
Estou suando, mas ali.
Estou errado.

Sou um tempo,
sou o fundo,
o intragável conhecedor
que quer gritar
alto
pra sair.
Lucas G.

4 comentários:

juliana disse...

Quando eu eu leio as suas coisas sempre tem alguma coisa fora do lugar (comigo). E aí eu venho aqui, pra ver o seu jeito de tudo. O que não serve pra muita coisa, porque eu sempre acabo ficando mais angustiada.
Isso não é uma tentativa de crítica ou indireta de: 'porra, ele nunca fica satisfeito com nada?'
Isso tudo pra dizer: quando vc tiver a sensação de 'olha, tá tudo dando certo' - vc vai conseguir escrever com a mesma intensidade de agora? 'veneno', 'em goles ácidos'?
to com uma insonia monstra e eu nao quero debater nada na internet. É só pra não me deixar esquecer, tá?
até mais Lu

L.G disse...

Adorei!!
Passo por algumas inquietações e descobri uma maneira de relaxar com esse blog.
Não sei se escreverei com menos ou mais intensidade quando essa tempestade passar, sei apenas que vou escrever.
Além das inquietações não serem algo triste ou depressivo, mas como você disse, alguma coisa fora do lugar, que coça para sair!
Beijos

Li disse...

adorei esse texto Lu...

E me entrometendo... eu posso ir um pouquinho mais longe?
Será que, algum dia, a gente vai se aquietar?

Espero que não...

Beijoss

L.G disse...

Espero tbm , mas o contrário tem uma força tão grande.
hehe