terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Fim do dia



Desaviso e
a chuva cai.
Agiliza os passos,
Abrem guarda-chuvas
Mas é água forte.

Enegrece lá de cima,
Alguns desistem,
Outros correm como ratos pestilentos
Em busca de um bueiro transbordado por
Outros de sua espécie.

Há aqueles apaixonados que dançam,
Há os decrépitos em passos ritmados,
Do medo da água até os marginalizados correm.

A vista de dentro de um ônibus em meio ao
Movimento da rua era música.
Som de alta qualidade,
Era barulho humano ,
Torrencial,
Fugaz e cheirava a mofo.
O calor, as tosses, espirros e as janelas fechadas
Fazia dos de dentro sinônimo dos de fora.

Dos blocos humanos temerosos tudo se via.
Bastava um ponto de ônibus e um emaranhado de
Tribos, gostos, tendências e cheiros surgia.

De dentro do sufocante paquiderme,
Outra unidade transparecia.
Os molhados , os secos, os velhos, os cansados,
Os jovens, as noivas.
Ali tudo tornou-se uno,
Singular e existente.

Entre o secar de uma gota de suor e
A baba escorrendo da boca do velho cansado,
Um menino sussurra no ouvido de sua mãe:
O que seria se chovesse todos os dias assim ?

Lucas G.

Um comentário:

Li disse...

"chove em são paulo"

Diluviiia Balieiro!


AAHH,
amo você!