quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Carne e osso



Por fim, fico nas risadas.
Muitas e, agora, quase sempre.
Fui a criança que acreditou em contos de fada,
Fui o pequeno a achar que era oco por dentro.

De balelas e tombos,
De balinhas e contos
Fiz de minha maior mentira
porta retrato.

A busca ansiosa por um
sentido nos quadros de Dalí,
A leitura dos livros de ponta cabeça,
o ranger de uma porta e a entrada num mundo particular
- Só meu e dos tantos bonecos
Quis viver e experimentar tudo e a todo instante.

(Um corte de faca,
O cheiro da lima,
Os pés descalços na grama ,
A chuva fria no corpo amanhecido,
Um beijo,
Desenhos vindos do fundo de minha imaginação.)

Sempre fui contrário a mim mesmo,
Busquei meus próprios desafios,
e quando não os tinha, criava.
Encravei-me num eu tão desconhecido.
Um eu que sei habitar ainda meu fundo,
Um eu meu.
Do âmago,
do sem ,
da dúvida.
Mas o tempo não corre contrário e cresci.

Pelas histórias noturnas, pelas palavras,
Por essência,
pela metáfora ou descobrimento, talvez?
Por sentimentos e
falhas definições
Carrego comigo,
Respeito solene.
-Para com o que sinto,
Para minha realidade gritante e criada,
Pelo meu prazer antagônico,
Por minha felicidade transviada.

Sou honesto?
E não me escondo nos enganos?
Estou certo?
Há sentido?
Obssesivo?
Amante?
Amado?
Humano?

Há pouco achava que nem pernas tinha,
Mas não.
Sou homem do asfalto,
sou aquele das ilusões arraigadas,
porém,
do olho com fria seriedade e
sem mais os barulhos de soco feitos com a boca,
sem mais o colo em uma noite sem sono.

Poderia ainda?
Talvez.
Optei e entendi que
vontades maiores urravam,
Eu começava a sangrar de dentro
E não queria mais meus encantados sonhos e
As lindas figuras da edição dos Irmãos Grimm.

Queria me entender.
Arrisquei uma luta injusta entre sonhos e reflexo.
E mesmo com tão pouca experiência,
nunca encontrei ser algum que tivesse
dentro de si tão difícil combinação.
Nas mãos as marcas dos tantos cumprimentos
ainda permanecem.
Por mim já achei terem passado sonhadores,
não sei ao certo se algum dia realmente os vi.
Certeza tenho, que os cortes foram das mãos de aço, dos homens dos trotes,
dos óculos escuros.
Desses vê-se sempre aos bandos.

Hoje, ainda reluto para encontrar os tais sonhadores.
Meus reais oníricos,
pois palavras e grandes discursos nada me dizem,
enquanto o que vejo é a mesma criança
tremendo com medo da surra do pai.
Quero a marca da mão de alguém invisível,
alguém com os pés fixados em sonhos.
E só.
Alguém sem jeito, sem forma.
Quero alguém da surpresa diária, de um acordar repetino,
quero o cumprimento desses homens sem sombras.
Se não eles, então apenas um
que tenha um pé nos sonhos e outro em realidade.
E com consciência disso.
Sendo, existindo , vivendo e não
mais fosco e enquadrado.

Cresci e,hoje, rio.
Sem razão , sem motivo ,
Desacreditando nas definições e
Na facilidade de se julgar amante,
Apaixonado, louco de amor.
Desconfio das marcas,
não sei se já posso ser.
Não sei se já vi alguém sendo.
Existe divisores?
marcações?
[tornei-me vulto,
tranformei-me em karma.

Digo que já senti.
Apenas.
Será isso o que chamam de amor?
Desconfio pelos finais.
Sou o inverso, se lembra?
Amor não é sem fim?
Se ajoelha por amor?
Assim?
Tem hora para acontecer?
Isso tudo existe?
Os olhos da infância haviam me deixado.
Mesmo?
Ás vezes ainda retornam,
quando grita um aperto de saudade ou a sensação gostosa
De ter alguém do seu lado.
Mas são poucas e já nem sei se os posso caracterizar assim.

Se me permito sentir?
Mas do que nunca, hoje, eu vivo.
Do real e de minhas risadas e
Deixo os sonhos para os perdidos,
Para os desacreditados,
para os deconhecidos.
Hoje, busco nos meus, cenas reais.
Sinto carne,
Sou homem de sangue e não de nuvens.
Se é certo ser assim?
Não há certo ou errado.
Apenas experiências, ilusões e
marcas.
(O tom tinha de mudar, as risadas transbordavam do papel sem cor)


Lucas G.

2 comentários:

Li disse...

Lembrei de você pinóquio.

Será que ainda és o mentiroso boneco?

(Hehe, brincadeira...)


Acho que 'meu minino' já ta mais pra Gepeto.

L.G disse...

Seu minino tá calejado flor!
hehehe