segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Só assim (ou por muito pedir)

Queria provocar, mas ter suas respostas.
Estímulos diários, mas não somente unilaterais.
Havia se acostumado aos tantos.

Queria o novo, o surpreendente.
Por outro, sonhava em saber aonde pisava,
Conhecer todas as curvas, cada meandro. Trejeitos.

Ela queria ouvir coisas. O tempo todo.
Queria o fim dos sonhos. Apagar tão insoso limiar.
Sentir o prazer despreparado, mas a gastura de saber que este viria.
O fim entre etéreo e terreno.

Acalmar-se frente o outro, pois conhecia os passos.
Delimitaria assim, perfeitamente, as raivas. Os traumas.
Ela ansiava mudanças. Sentiria o sabor de orgulho delas.
Mudanças sem vetores,
Desproporcionais e
Tão deles.

Mudanças difíceis, porém palatáveis.
Entendeu-se e agora ela realmente deitaria. Dormiria.
Os recortes do passado acabariam, pois tinha um segredo.
Um segredo que alguns trespassavam vidas e nada encontravam.

Quando pudesse tudo isso sentir. Só assim, descobriria que, entre muitos.
Entre todos. Ela conseguira.
Fecharia os olhos e com sossego, sentiria uma chave lá no fundo do bolso.
Chave dada por ele, outra troca justa. A mais, talvez.

Teria esse jogo seu fim. Pois ambos com suas chaves teriam o código de abertura da caixinha.
Caixinha apelidada por eles de “recíproca” -
Nome que gostavam de pronunciar.

Daí então, dormiriam e sonhariam com a vida que tinham,
Um reflexo exato de tudo que já possuíam.

Lucas G.

Um comentário:

juliana disse...

“(…) eu me exalto e me estimulo quando renuncio ao enorme peso de uma lógica implacável. Obrigo-me a girar leve como um pião para aplacar a lucidez e incitar o delírio, para escutar minha intuição.”

é de um livro que eu vou te emprestar, tá?
beijos
Ju