terça-feira, 18 de agosto de 2009

Estranho viver em terra de garoa

Megalomaníaca cidade de algozes. Marginais despercebidos em meio a frenesi e promoções em portas de vidro. Vidros que refletem desiguais, que engordam, emagrecem. Superfícies que reluzem em preto, roxo e amarelo – as cores novas do verão.
Vidros de nenhum interior. O interno e vago consumo humano. Suprindo malefícios eclodidos da própria cidade. Dos ratos, de barulhos, de cinzas, de estampidos revezados das formas altas às chinelas carcomidas dos também passantes. Os meninos na correria do pega-pega, rolando entre asfalto , poeira e desaprovações. Mas ainda eles ali brincam.
Nessa babilônia de nome tão santo, até o céu se cansa. Enegrecido, propaga-se em nuvens esparsas e azul quase cinza. Estafado está e, quando tonto de tamanho ritmo, vomita em gotas grossas água. Água e ácido. Nessa terra só assim se limpa os vestígios dos soltadores de fumaça, só assim lixo desaparece, só assim a frenesi diminui e os tidos como loucos podem sair à rua e dançar. Ácido caindo na terra, terra dos tantos e de tão poucos. Poucos que nem nome ganham, indigentes de terra natal. Viver brasileiro é questão de sorte.

Lucas G.

2 comentários:

D. Schuberstein disse...

vou primeiro fazer a "critica", pra depois exagerar no elogio. acho q nesse texto vc repetiu demais as palavras depois do ponto final, de uma forma um pouco cansativa. mas... nossa! gostei pra caralho desse, gostei mesmo. E esse final entao, "Viver brasileiro é questão de sorte.", puts, mto bom!

L.G disse...

Não entendi a crítica, agradeço o elogio!