quarta-feira, 16 de junho de 2010

Terapia

Eu caí.
Ainda não sei aonde sangra, mas a perna lateja e repuxa. Não nessa ordem.
Eu caí acreditando que vodcas e energéticos poderiam falar por mim. Fazer por mim. Que aquele álcool ao transpassar venosas, não me faria responsável por nada ou ,pelo menos, não sentiria o peso nos ombros, ou melhor, as dores nas pernas. Não sabia envelhecer. Não queria ter nome completo, trabalhar todos os dias ou ser pai de família. Não estava certo de meus gostos e nem das escolhas que , um dia, tinha feito. Pensar nas que eu faria então, era tremedeira na certa. E aquelas doses, por muito, me salvaram de qualquer limite, enclave ou solapada da vida.
Eu me fazia distante de tudo e só me sentia vivo naquele bar, na sexta feira e quando não precisaria acordar cedo no dia seguinte.
E numa dessas noites, o tombo foi feio e eu sangrei. Nunca tinha visto uma cor minha. Era vermelho e escorria de meu corpo. Foi a primeira vez que me senti incapaz. A perna tremia , o corpo doía e meu reflexo no espelho era amargo. Eu estava doente. Uma doença de não sintomas, sem motivos e que veio destruindo a fragilidade de minhas noites de baladas, dos porres coletivos e de sexos casuais.
Dia após dia, ela arranhava as antigas feridas, denegria meus dogmas e expunha a dor mais aguda. Uma dor que sempre escondi: a dúvida.
Galguei minha vida na efemeridade, na ingenuidade de uma criança travestida pelas poses de menino maduro.
Minhas pernas doem, pois não quero ser em minha própria vida, prefiro o estado espúrio das noites de gandaia. De não pensar em dias seguintes, em caçar as migalhas de instantes. De segundos de prazer copiados de sites de pornografia virtual.

Ainda tenho medo de crescer e meu grafite já não quebra em pontos finais.


Lucas G.

3 comentários:

Flaixer disse...

primeiro: novo visual chocante!
segundo: do caralho (!!!) 'Ainda tenho medo de crescer e meu grafite já não quebra em pontos finais.'

Lucas Galati disse...

Feliz que tenha gostado.
Do visual e do texto
=p
Um beijo

no dito disse...

ta bonito! um beijo de quem te acompanha e também não quer crescer nunca