terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Entranhas



O seu grito corroeu.
Fez meu corpo silêncio ,
Os olhos lacrimejaram,
O coração pulou em taquicardia.

Você gritou aquilo que eu já sabia,
Você cuspiu o maior erro cometido.
O auge,
As lástimas,
Os tantos esquecimentos.

Não só de ti,
Mas de mim ,
Mas dos tantos.
Eu esqueci o mundo,
Desconhecia a vida.

Fiz de mim ,
Dei a mim ,
Tornei-me...

Um presente reformulado,
Um estímulo,
talvez, sombra.
Eu era desejos e
Estes e eu tão
Intangíveis.

Eu era uma caixa
De surpresas conhecidas.
Trancafiei o humor,
Afoguei o fingir,
Eu fiz-me uno.
Um uno variável,
controverso,
exímio.
De minhas intragáveis palavras,
das doídas repetições e do
Sangue em minha roupa,
em minha cara.
(Uno.)

Fui indesejado,
Fui mal entendido,
Fui sincronizado e
Requerido.

Fui goles,
Pílulas,
Dores, venenos e
Amores.
Fui distância e relativismo.
Fui sem ,
Sem nada e
Nada fui.

O seu grito lembrou-me que já viro as costas,
Que já noto os erros,
Que já choro – as lágrimas saem.

Você fez eu notar meu maior engano:
O meu eu
- Dúbio,
Bipolar e
Conhecido.
(Dedicado à Adriana Molinari)


Lucas G.

Um comentário:

Li disse...

Lu,
tem um convite pra vc no meu blog, no final do ultimo texto postado.
Desculpa te botar nessa, mas nao tive saida! haha...
Faz se quiser...
Beijoss