sábado, 7 de novembro de 2009

Tarde quente

Um caminho limpo , de terra batida e árvores dos muitos sabores. Caminho livre, dos carros inexistindo, dos pássaros de Mia Couto trazendo o lusco fusco em uma caixinha dada a mim. Presente de despedida.
Uma tarde minha e do meu caminhar finalmente permitido. Passos que não traziam mais lágrimas, a poeira não vinha das pedras que antes caiam, não havia mais asfalto machucado nessa estória. A poeira, por fim, era baixa. Vinda do meu silêncio, do não saber mais questionado e mais exposto. Aquelas indagações de conseqüências mutáveis, transfigurando-se em cortes, em sangue. Por vezes, água e sorrisos. Mas de final sempre vermelho e gotinhas pulando em azul para fora do olho.
O meu não sei do final sabido. O duvidar daqueles que dentro carregam seguros passos e entendimentos, e que numa tarde, resolvem sair para levantar poeira e ver pássaros. O livro tinha acabado, estava quente lá fora e por alguns anos deixara de beijar o vento. O instante fez-se agora, em um não sei sabido.

Lucas Galati

Um comentário:

Li disse...

"tinha o tempo em que você sentia
e sentir
era a forma mais sábia de saber
e você nem sabia"
(Alice Ruiz)