Roia as unhas que já não tinha. Olhava na janela e a sua cara pálida refletia a noite passada. Vodca seguida das batidas de uma balada no subúrbio paulistano.
O relógio de pulso anunciava o amanhecer do dia. A casa ainda em silêncio; alguns fechares de portas e esporádicos estampidos do chão de taco marcavam um novo dia para todos os outros. Mas não para ele. Ele não tinha um novo dia pra começar.
Sentado numa cadeira velha em frente ao computador revezava entre salas de bate papo e profiles do Orkut. A inanição lhe apetecia. Tinha livros para ler, tinha coisas a escrever e, naquele momento, até queria conversar. Porém, tudo era tão difícil, era distante. Aquele homem se deixava levar pelo barulho da máquina, pela restrição das tamanhas possibilidades de uma rede infinita, pela única coisa que ainda lhe dava alguma espécie de prazer.
Homem feito de tecnologia. Por tudo que este fazia dela, uma dose diária do mais puro veneno: a idêntica sequência de ações. Não havia o que começar, pois já não sabia o que era o diferente. O homem temia a distinção.
Junto ao tocar das teclas, via-se sangue. As unhas, quase inexistentes, pediam socorro a mais aquela repetição. A perna mexia num frenético cacoete, movimentos exatos e, por mais angustiante que fosse, iguais. Exatamente iguais como todos os outros dias daquele homem.
O cigarro no mesmo horário, a tontura e o cheiro da nicotina excitavam um falo já automático. Erguido por aquela sequência. Seu orgasmo tinha horário, seu prazer um site.
Ejaculava e de frente ao espelho dava adeus ao seu sexo. Há muito, virtual. Um leve gemido no ápice do seu orgasmo relembrava os antigos momentos reais, as carícias e o cheiro de gente. Fingia se satisfazer, até tentava distinguir as inúmeras masturbações noturnas. Mas até elas, tinham se tornado iguais.
Às sete da manhã, mais um cigarro. O escovar dos dentes seguido de um gole na água da torneira. Desliga o computador, coloca o pijama, deita na cama de bruço e adormece até as três e meia da tarde, quando seu relógio iria despertar e mais um dia reiniciaria. Idêntico e sem começos. O dia das teclas, das gozadas, do sangue. Os dias iguais precedidos de noites de vodca e batidas frenéticas, porém vazias e sóis. Aquele homem não sabia ser diferente.
Lucas G.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
Não haveriam explosões

Naquela relação haviam apenas enganos e enganados. Uma junção imperfeita, um processo de coligação altamente fictício e, diria até, de base nostálgica.
De certa forma, aparentava que da relação não existia o palpável, o definível; apenas um abismo, uma clivagem irresponsável dos corações soltos, dos desejos mais primários e infantis, de um começo necessário, mas hipócrita. Como a relação toda em si.
Longe de querer os mesmos questionamentos ou elucidações. Mas todo recomeço é pautado em algum passado. Todo recomeço carrega consigo singelas picadas daquele inseto verde de Clarice. Recomeçar revivia o pedido da última onda do ano que se despedia.
E eu não conseguia. Não queria. E não podia. Um recalque sólido e frígido. Uma atitude que estava longe dos sentimentos e fincada na racionalidade e na frieza do esquecimento.
Ao recomeçar, achei ser apto a tudo o que viria. Achei poder transformar meus exaustivos dogmas, tive certeza que minha visão havia mudado, que meus anseios eram outros e que a jovialidade do antigo discurso já não apetecia. Pois bem, e não mais mesmo.
Muito havia mudado. Outros momentos, outras pessoas, outros ciclos e círculos. Contudo, ao medroso aqui que vos fala, uma antiga sensação passou a ocorrer. O passado rígido, o delimitar abusivo, o esquecimento palatável, estranhamente, arqueavam-se e afrouxavam aquela redoma altamente intransponível.
Mas, sem explicação, no instante da ação tomada, já elucidava: Jamais seria.
Não sou capaz, não me divirto, não são adendos. Quis que fosse, continuarei tentando na hipocrisia anormal, ou talvez, na normal veracidade de passos trêmulos, de ajudas sinceras e descompromissadas. Não obstante, um medo ainda permanece, um medo que, apesar de não admitido, transpassa o limiar do querer. O medo do retorno. O pavor da irrealidade. Um medo de mais feridas e de possíveis explosões. Não consigo, não posso e...
De certa forma, aparentava que da relação não existia o palpável, o definível; apenas um abismo, uma clivagem irresponsável dos corações soltos, dos desejos mais primários e infantis, de um começo necessário, mas hipócrita. Como a relação toda em si.
Longe de querer os mesmos questionamentos ou elucidações. Mas todo recomeço é pautado em algum passado. Todo recomeço carrega consigo singelas picadas daquele inseto verde de Clarice. Recomeçar revivia o pedido da última onda do ano que se despedia.
E eu não conseguia. Não queria. E não podia. Um recalque sólido e frígido. Uma atitude que estava longe dos sentimentos e fincada na racionalidade e na frieza do esquecimento.
Ao recomeçar, achei ser apto a tudo o que viria. Achei poder transformar meus exaustivos dogmas, tive certeza que minha visão havia mudado, que meus anseios eram outros e que a jovialidade do antigo discurso já não apetecia. Pois bem, e não mais mesmo.
Muito havia mudado. Outros momentos, outras pessoas, outros ciclos e círculos. Contudo, ao medroso aqui que vos fala, uma antiga sensação passou a ocorrer. O passado rígido, o delimitar abusivo, o esquecimento palatável, estranhamente, arqueavam-se e afrouxavam aquela redoma altamente intransponível.
Mas, sem explicação, no instante da ação tomada, já elucidava: Jamais seria.
Não sou capaz, não me divirto, não são adendos. Quis que fosse, continuarei tentando na hipocrisia anormal, ou talvez, na normal veracidade de passos trêmulos, de ajudas sinceras e descompromissadas. Não obstante, um medo ainda permanece, um medo que, apesar de não admitido, transpassa o limiar do querer. O medo do retorno. O pavor da irrealidade. Um medo de mais feridas e de possíveis explosões. Não consigo, não posso e...
Lucas G.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Dito - sem palavras
E assim disse – sem rodeios.
Cravando no silêncio daqueles dois corpos,
Uma negação.
Com silhuetas daquelas palavras já tão afirmadas.
Aquelas do começo.
Os pés chafurdados em terra,
Margeando o limiar de um barranco,
- Minha clivagem mal resolvida,
Uma dança rarefeita,
Dos sem timbres.
Dança rouca e
nua.
Ritmada, mas sem o sabor daqueles sustenidos.
À frente aquela reconfortante porta aberta,
De todos os dias,
A maçaneta com apenas um parafuso,
A madeira, já com farpas,
O barulho conhecido
E a porta nunca fechada.
O humano teme.
O humano chora.
Ele nega, não adentra, muito menos, pula.
Ao barro, fincou-se. De tal forma,
Que o esbofeteio, de certo, seria pior.
E foi...
Veio com a força daquilo mais sonhado,
Com a incredulidade de uma atitude leviana.
Um cuspir gélido na cara daquele que errou em querer acreditar.
Uma porta aberta nas antigas
- Aquela lembrança que não pode sair do retrato;
Um pulo evitado às cegas;
- Seu choro e minha inanição.
Meus desejos, sua completude.
Uma fissura e seu sexo.
Meus orgasmos, seus pudores.
Lucas G.
Cravando no silêncio daqueles dois corpos,
Uma negação.
Com silhuetas daquelas palavras já tão afirmadas.
Aquelas do começo.
Os pés chafurdados em terra,
Margeando o limiar de um barranco,
- Minha clivagem mal resolvida,
Uma dança rarefeita,
Dos sem timbres.
Dança rouca e
nua.
Ritmada, mas sem o sabor daqueles sustenidos.
À frente aquela reconfortante porta aberta,
De todos os dias,
A maçaneta com apenas um parafuso,
A madeira, já com farpas,
O barulho conhecido
E a porta nunca fechada.
O humano teme.
O humano chora.
Ele nega, não adentra, muito menos, pula.
Ao barro, fincou-se. De tal forma,
Que o esbofeteio, de certo, seria pior.
E foi...
Veio com a força daquilo mais sonhado,
Com a incredulidade de uma atitude leviana.
Um cuspir gélido na cara daquele que errou em querer acreditar.
Uma porta aberta nas antigas
- Aquela lembrança que não pode sair do retrato;
Um pulo evitado às cegas;
- Seu choro e minha inanição.
Meus desejos, sua completude.
Uma fissura e seu sexo.
Meus orgasmos, seus pudores.
Lucas G.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
Apenas começos

Uma vida de começos, mas longe dos finais. Nunca um final. Conclusões obscuras e salobras, encaradas, aos outros, como um ponto daqueles que se quebra o grafite.
Nem vivido ainda tinha, esperava, não tinha medo do tempo. Aos outros, o peso e a definição em todo o momento. Mas não era os outros e, talvez, fosse isso que o transtornasse.
Suas diferenças, seus anseios, sua forma de olhar, seu olho, sua voz, por que não uma simples analogia? Uma. Apenas uma.
Por muito achou ter encontrado alguém com aquela tonalidade, com sua mesma forma de olhar, de levantar da cama, de estralar seus dedos. Mas era só mais um começo sem final algum.
Em todos esses finais entendidos abruptos pelo menino, o tempo era sacado do bolso e armado como maior desculpa, como refúgio e solução. Não podia dizer, não conseguia uma palavra soletrar nesses instantes. Quieto, desaparecia. Simples, à francesa e só.
Dentro dele, a vontade de ouvir: Errei! Volta. Mas, o próprio menino, ria. Os filmes já não o apeteciam e as novelas eram a melhor forma de devanear. Para os tantos planetas, para um além, para uma história com algum final.
Aquele menino cansara de seus começos e, cada vez mais, menos se entendia. Adaptara-se aquela seqüência de fatos corriqueiros que davam graça a vida. O gosto do inesperado, o arrependimento, as lágrimas e os beijos. Nutriu-se disso, por um bom tempo. Mas o seu final jamais viera. E, hoje, assim permanecia.
Engraçado... desde pequeno era assim. As idéias vinham, mas nunca as finalizou. Sempre faltou aquele traço, a última bolacha, o estrear da peça, o ponto final daquela crônica. O menino era feito de histórias sem finais. Contínuo, perdura nas páginas velhas do livro do avô lido ao redor da fogueira para toda família e junto aos piares que desapareciam no frio das montanhas. Até eles tinham seus términos. Mas não a história daquele velho livro.
Nem vivido ainda tinha, esperava, não tinha medo do tempo. Aos outros, o peso e a definição em todo o momento. Mas não era os outros e, talvez, fosse isso que o transtornasse.
Suas diferenças, seus anseios, sua forma de olhar, seu olho, sua voz, por que não uma simples analogia? Uma. Apenas uma.
Por muito achou ter encontrado alguém com aquela tonalidade, com sua mesma forma de olhar, de levantar da cama, de estralar seus dedos. Mas era só mais um começo sem final algum.
Em todos esses finais entendidos abruptos pelo menino, o tempo era sacado do bolso e armado como maior desculpa, como refúgio e solução. Não podia dizer, não conseguia uma palavra soletrar nesses instantes. Quieto, desaparecia. Simples, à francesa e só.
Dentro dele, a vontade de ouvir: Errei! Volta. Mas, o próprio menino, ria. Os filmes já não o apeteciam e as novelas eram a melhor forma de devanear. Para os tantos planetas, para um além, para uma história com algum final.
Aquele menino cansara de seus começos e, cada vez mais, menos se entendia. Adaptara-se aquela seqüência de fatos corriqueiros que davam graça a vida. O gosto do inesperado, o arrependimento, as lágrimas e os beijos. Nutriu-se disso, por um bom tempo. Mas o seu final jamais viera. E, hoje, assim permanecia.
Engraçado... desde pequeno era assim. As idéias vinham, mas nunca as finalizou. Sempre faltou aquele traço, a última bolacha, o estrear da peça, o ponto final daquela crônica. O menino era feito de histórias sem finais. Contínuo, perdura nas páginas velhas do livro do avô lido ao redor da fogueira para toda família e junto aos piares que desapareciam no frio das montanhas. Até eles tinham seus términos. Mas não a história daquele velho livro.
Lucas G.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Final moído, estória requentada
Vem, um erro nosso.
Dança e traga aquele maço azul.
Finja um orgasmo e
Corre nas veias alergia ao sólido.
Defina, sem palavras
E atue sem alguém ao seu lado -
Consegue?
Uma vez, já te tocaram?
Tocaram?
E foi daquele jeito?
E foi real?
Sentiu a pele do outro?
Longe permaneça.
Não transpasse a derme,
Tenho medo de doenças em meus poros,
Existo apenas dentro daquele vidro.
E eu não posso,
E eu não quero,
E eu não,
Nunca
Não.
Enlouqueça, pois, de inanição,
Bata palmas ao seu teatro,
Ao seu maior engano.
Arrependimento, não bata,
Aquilo é água e
o que sai do repetido movimento:
Apenas pedra moída.
Apenas pedra moída que saiu de você.
Lucas G.
Dança e traga aquele maço azul.
Finja um orgasmo e
Corre nas veias alergia ao sólido.
Defina, sem palavras
E atue sem alguém ao seu lado -
Consegue?
Uma vez, já te tocaram?
Tocaram?
E foi daquele jeito?
E foi real?
Sentiu a pele do outro?
Longe permaneça.
Não transpasse a derme,
Tenho medo de doenças em meus poros,
Existo apenas dentro daquele vidro.
E eu não posso,
E eu não quero,
E eu não,
Nunca
Não.
Enlouqueça, pois, de inanição,
Bata palmas ao seu teatro,
Ao seu maior engano.
Arrependimento, não bata,
Aquilo é água e
o que sai do repetido movimento:
Apenas pedra moída.
Apenas pedra moída que saiu de você.
Lucas G.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
throw your arms around me/ Pearl Jam
"I will come to you in the daytime
I will climb to your bed
I will kiss you in four places
As I go swimming around on your rear
I will squeeze the life right out of your
I will make you laugh,
I'll make you cry
And you may never forget it
As I make you call my name as a shouter to the blue, summer sky
And we may never meet again
So shed your skin lets get started
And you will throw your arms around me
I will come to you at nightimeI will climb into your bed
I will kiss you in 155 places
As I go swimming around on your rear
I will squeeze the life right out of yourI will make you laugh,
I'll make you cry
And we may never forget it
As I make you call my name as a shouter to the blue, summer sky
And we may never meet again
So shed your skin lets get started
And you will throw your arms around me"
I will climb to your bed
I will kiss you in four places
As I go swimming around on your rear
I will squeeze the life right out of your
I will make you laugh,
I'll make you cry
And you may never forget it
As I make you call my name as a shouter to the blue, summer sky
And we may never meet again
So shed your skin lets get started
And you will throw your arms around me
I will come to you at nightimeI will climb into your bed
I will kiss you in 155 places
As I go swimming around on your rear
I will squeeze the life right out of yourI will make you laugh,
I'll make you cry
And we may never forget it
As I make you call my name as a shouter to the blue, summer sky
And we may never meet again
So shed your skin lets get started
And you will throw your arms around me"
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